Friday, September 08, 2006

Explicações sobre o que acabou

Tomem isto como um adeus ou carta de retratação pelos poucos anos em que mantive o blog ativo.
Desde o início escrevi sob a estigma de um personagem pré-adolescente, narrando histórias não tão fantásticas e publicando diálogos absurdos e fictícios que ocorriam somente dentro da minha cabeça ou no momento em que sentava e me permitia dar à luz a algo. Nenhuma das histórias, por mais que baseadas em fatos verdadeiros, eram cem por cento reais e isso se fazia valer pela carregada dose de ironia e sarcasmo que estampava nos textos.

Se alguma vez citei nomes reais, seja de pessoas ou instituições, peço sinceras desculpas. O intuito sempre foi fazer alegrar e despertar questionamento. Ninguém teve seu retrato fiel exposto e é absolutamente abominável diminuir qualquer um dos personagens à descrição mal detalhada do meu texto. Qualquer um que tenha lido um romance ou assistido uma novela sabe do que digo - não considerem um capítulo como o todo, uma cena como a obra, uma música como o disco inteiro.
Ficaria muito triste se alguém interpretasse qualquer piada como ofensa pessoal ou utilizasse o que eu fiz para despertar qualquer sentimento ruim que fosse ao próximo. Como a nostalgia de Santos Dumont ao ver o seu avião jogando bombas sobre civis, eu nunca quis ver o meu avião atacando inocentes e muito menos quis ferir quem eu guardo com carinho.

O humor é aprendizado como qualquer coisa na vida e talvez a única, ironicamente, que tenho levado a sério desde que me dei conta do sorriso. O senso de humor atrofiado só faz crescer a ignorância e o desconsolo dos que ainda se contentam em dar risada assistindo televisão.

Fazendo uma retrospectiva estou certo de que dediquei a maior parte disso ao humor e o resto que sobrava a pequenos relatos e confissões de conflitos que vivia, mas, sobre estes, não devo satisfações públicas, senão ao que cabe dentro de minha cabeça e ainda explode, estravaza e chove contente, dentro do meu quarto.